quarta-feira, 16 de junho de 2010

Inteligência Espiritual

A partir das pesquisas de Zohar e Marshall (2000), emergiu um novo conceito de inteligência: o Spiritual Quocient ou Quociente Espiritual (QS). Segundo os autores, o QS é a base necessária para que a inteligência intelectual (QI) e a inteligência emocional (QE) operem de modo eficiente (p. 18). A inteligência espiritual tem um poder de transformação que a diferencia das outras inteligências, indo além da capacidade intelectual e emocional do indivíduo (p. 19).

Os modelos vigentes, tanto no mundo da vida quanto no mundo corporativo, “passam por uma por uma crise de sustentabilidade” (ZOHAR, 2001, p. 2). O modelo seguido pelo mundo corporativo, baseado no lucro imediato, gerou uma cultura corporativa desconectada de valores mais profundos. O impacto negativo desse modelo reflete-se tanto na devastação ambiental, quanto em desequilíbrios físicos e psicológicos nos indivíduos. Em entrevista concedida a Revista Exame, Zohar (2001, p. 3) aponta que “há uma profunda relação entre a crise da sociedade moderna e o baixo desenvolvimento da nossa inteligência espiritual”. A crise à qual se refere a autora é uma “crise de significados”, uma crise espiritual que tem origem na falta de um sentido de vida baseado em valores e objetivos mais elevados.

O Quociente Espiritual não tem a ver com religião (ZOHAR, 2000, p. 23). É a inteligência que nos direciona em momentos de impasse, quando nos deparamos presos nas armadilhas dos nossos velhos padrões comportamentais, quando enfrentamos problemas com doenças físicas ou sofrimentos emocionais. É o Quociente Espiritual que nos mostra que temos problemas existenciais e nos fornece pistas de como solucioná-los (ZOHAR, 2001, p. 1).

Desenvolver as qualidades do Quociente Espiritual é mudar a nossa orientação em termos de valores. Quando as empresas investem em trabalhos que busquem elevar o Quociente Espiritual dos seus funcionários, além de formar lideranças espiritualmente inteligentes, contribuem para uma mudança de paradigma, onde o conceito de lucro não se sustenta apenas em valores materiais, mas também em valores sociais e espirituais (ZOHAR, 2001, p. 1).

Pensar não é um processo inteiramente cerebral, não é apenas uma questão de QI. Pensamos não só com a cabeça, mas também com as emoções e com o corpo (QE) e com o espírito, com as visões, esperanças, percepção de sentido e valor (QS). Pensamos com todas as complexas redes nervosas entrelaçadas em todo o nosso organismo. Todas elas fazem parte da inteligência do homem (ZOHAR, 2000, p. 60).
O que diferencia o QS do QE é esse poder transformador (ZOHAR, 2001, p. 2). Da forma como Daniel Goleman (1996) define, a inteligência emocional permite julgar em que situação o indivíduo se encontra e, em seguida, indica a maneira como o mesmo deve comportar-se apropriadamente dentro dela. ... Já a inteligência espiritual permite perguntar, de início, se o indivíduo quer estar nesta situação particular (ZOHAR, 2000, p. 19). (...) O QS não mantém nenhuma conexão necessária com religião (ZOHAR, 2000, p. 23). (...) O indivíduo com alto teor de inteligência espiritual pode praticar qualquer religião, mas sem estreiteza, exclusividade, fanatismo ou preconceito. De igual maneira, pode possuir qualidades extraordinariamente espirituais sem ser absolutamente religioso (ZOHAR, 2000, p. 28).

De acordo com Zohar (2000, p. 38), a cultura moderna é espiritualmente atrofiada, pois os indivíduos usam e vivenciam apenas o imediato, o visível, o pragmático. O homem está cego para os níveis mais profundos de símbolo e sentido que inserem os objetos, as atividades e ele mesmo em um marco existencial mais amplo.
Nesse sentido, a autora aponta dez qualidades essenciais de pessoas que apresentam uma espiritualidade desenvolvida: 1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo 2) São levadas por valores. São idealistas 3) Tem capacidade de encarar e utilizar a adversidade 4) São holísticas 5) Celebram a diversidade 6) Tem independência 7) Perguntam sempre "por quê?" 8) Tem capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo 9) Tem espontaneidade 10) Tem compaixão.

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