quarta-feira, 16 de junho de 2010

Espiritualidade em Organizações

A enorme velocidade de transformação pela qual estamos passando em todos os aspectos de nossas vidas faz com que toda a segurança que tínhamos no patrimônio, no material e no concreto se desvaneça, como uma neblina aos primeiros raios do sol. As dimensões do intangível, do invisível e do espiritual começam a se tornar mais presentes, e com isto os processos de transformação começam a fazer sentido (BOOG, 2003).

Assim sendo, crescentemente, algumas organizações vem procurando transcender os aspectos materiais, preocupando-se “em ajudar as pessoas a desenvolver e alcançar seu pleno potencial” (ROBBINS, 2005, p. 390). Tornam-se, então, organizações humanizadas ou espirituais.
Entende-se por organização humanizada aquela que, voltada para seus funcionários e/ou para o ambiente, agrega outros valores que não somente a maximização do retorno para os acionistas. Realiza ações que, no âmbito interno, promovem a melhoria na qualidade de vida e de trabalho, visam à construção de relações mais democráticas e justas, mitigam as desigualdades e diferenças de raça, sexo e credo, além de contribuírem para o desenvolvimento das pessoas sob os aspectos físico, emocional, intelectual e espiritual (VERGARA; BRANCO, 2001, p. 21).

As organizações espiritualizadas buscam estratégias de conciliação entre interesses diversos e contraditórios, presentes nos ambientes e condições de trabalho, em empresas públicas ou privadas. Interesses estes que não se limitam aos do capital e do trabalho, mas também aos relativos à subjetividade humana, aos valores, crenças, ideologias e aos interesses econômicos e políticos (SATO, 1999).
De acordo com Morin (2001), esta subjetividade deve conduzir o indivíduo para a realização de uma tarefa útil e produtiva, que seja considerada importante e capaz de contribuir para o crescimento profissional e humano, ou seja, o trabalho deve possuir um sentido para quem o executa.

Esta preocupação com valores, motivação, comprometimento, ética, liderança e equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal, faz parte das organizações que adotam a espiritualidade no ambiente de trabalho.
Segundo Catanante (2002), a espiritualidade busca introduzir uma “nova forma de trabalhar”, que faz com que as pessoas vejam o trabalho como uma forma de prestar contas a si mesmo e a Deus, procurando no trabalho uma realização intrínseca, deixando de depender de recompensas e punições externas. Faz com que as pessoas trabalhem em prol de uma causa (objetivos organizacionais) que é apresentada como vinculada a um benefício coletivo, ou seja, que supostamente beneficiaria a toda sociedade.

A literatura que relaciona o comportamento organizacional positivo com a espiritualidade nos locais de trabalho é ainda incipiente, embora Carvalho (2007, p. 4) considere que propostas relacionadas à espiritualidade nas organizações não sejam, uma novidade. Como apontam Colbari (1995), Freitas (2000) e Bauman (2003), paralelamente à implantação do taylorismo, alguns filantropos acreditavam que o sucesso industrial era um fator associado ao “sentir-se bem” entre os trabalhadores e, assim, ao invés de confiar apenas nos poderes coercitivos da máquina, apostavam nos padrões morais, piedade religiosa, vida familiar dos trabalhadores e sua confiança no patrão.

A espiritualidade no trabalho é um movimento amplo e crescente de busca de estados mais elevados de consciência, que estimulem as pessoas, equipes e as organizações a identificar e praticar ações visando tornar a empresa uma cidadã consciente em sua comunidade. A espiritualidade no trabalho tem implicações diretas na relação da empresa com os clientes, visão de resultados, liderança, gerenciamento de pessoas, ecologia, educação, desenvolvimento e bem-estar físico, emocional e espiritual (BOOG, 2003, p. 1).

A espiritualidade nos locais de trabalho pode ser definida como “o reconhecimento de que os empregados têm uma vida interior que alimenta, e é alimentada, pela realização de trabalho com significado num contexto de comunidade” (ASHMOS; DUCHON, 2000, p. 137). Outra definição é dada por Giacalone e Jurkiewicz (2003): um quadro de valores organizacionais evidenciado na cultura, que promove a experiência de transcendência dos empregados através dos processos de trabalho, facilitando o seu sentido de conexão com os outros de um modo que lhes proporciona sentimentos de plenitude e alegria.

“Foi na metade da década de 90 que a espiritualidade começou a ser levada a sério no mundo do trabalho” diz Laura Nash, professora de Ética na Escola de Negócios da Universidade Harvard. Laura aponta três motivos para a entrada da espiritualidade nas empresas. O progresso científico, que inclui a física quântica e ênfase em vários tipos de inteligência, uma reação a ambição desmedida e sem ética que caracterizou os anos 80 e quando os trabalhadores começaram a funcionar mais como seres humanos do que como maquinas e isso inclui a espiritualidade (COHEN, 2002, p. 25).

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