Segundo Konz e Ryan (1999, p. 201), “as organizações estão a passar lentamente de arenas de atividade puramente econômica e social para espaços de desenvolvimento espiritual”. Algumas empresas estão incorporando práticas contemplativas em vários aspectos do trabalho (DUERR, 2004), e outras encorajam os empregados a participar em programas que envolvem a meditação, a oração e a imagística guiada (visionamento ou “futuração”), assim como cursos sobre milagres e jornadas xamânicas (BUTTS, 1999).
O lugar de trabalho está deixando de ser só um lugar para se ganhar um salário no fim do mês ou para gerar lucros, para ter um sentido ampliado de satisfação. O papel gerencial dos líderes passa a incorporar a dimensão humana: orientar e apoiar o crescimento das pessoas de cada departamento, ajudando-as na realização de seus potenciais individuais. O que antigamente era visto como assunto desligado das empresas, como algo religioso ou até místico, hoje se insere como uma dimensão estratégica das organizações (BOOG, 2003, p. 2).
Uma organização espiritualizada é aquela que busca, na realização de sua missão, contribuir para um propósito maior que os aspectos materiais. Os valores nos quais se pauta para a realização de sua missão são éticos e centrados em princípios (KRETLY, 2005). Tais valores são comunicados aos funcionários e interiorizados pelos mesmos, formando uma visão compartilhada da necessidade de fazer uma contribuição à sociedade (SENGE, 1990).
Os seres humanos são seres racionais, mas também emocionais e espirituais. “Têm uma mente e um espírito [...] (e) o desenvolvimento do espírito é tão importante quanto o desenvolvimento da mente” (ASHMOS; DUCHON, 2000, p. 136). Como os seres humanos são, também, seres espirituais, procuram sentido e significado para o seu trabalho, que deve ser realizado num contexto de comunidade e assim, as organizações que dificultam estes aspectos, poderão sofrer conseqüências. Quando o trabalho não tem significado, a criatividade não flui. O comprometimento e a motivação para o trabalho são menores. Os níveis de estresse são mais elevados, podendo gerar acidentes de trabalho, erros decisórios e problemas de saúde física e psicológica. A identificação dos indivíduos com a organização é menor, e isso pode refletir-se no modo como se pronunciam externamente acerca da sua organização e, por conseguinte, na reputação organizacional. Os talentos abandonam mais provavelmente a empresa, que fica também com menor potencial atrativo para recrutar e selecionar bons candidatos. A lealdade organizacional é menor (REGO, 2005, p. 17).
Uma organização espiritualizada é aquela que busca, na realização de sua missão, contribuir para um propósito maior que os aspectos materiais. Os valores nos quais se pauta para a realização de sua missão são éticos e centrados em princípios (KRETLY, 2005).
De acordo com Cameron, Bright e Caza (2004), o efeito final em uma organização espiritualizada pode ser um mais elevado desempenho, do qual decorre maior orgulho na organização, maior alegria no trabalho e comportamentos virtuosos reforçados, numa espiral de virtuosidade que sustenta o desempenho a longo prazo.
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