De acordo com Woyciekoski e Hutz (2008), a Inteligência Emocional (IE) constitui um construto psicológico recente que reflete, sobretudo, o estudo das interações entre emoção e inteligência.
O campo disciplinar da Inteligência Emocional (IE) está em expansão e engloba várias áreas de pesquisa. A concepção da IE como uma habilidade foi desenvolvida na década de 1990 (MAYER, DIPAOLO; SALOVEY, 1990, SALOVEY; MAYER, 1990), sendo que as primeiras pesquisas visavam aos aspectos teóricos de delimitação de construto, medição e comprovação empírica, baseados no modelo psicométrico de inteligência (MAYER, SALOVEY; CARUSO, 2002).
A partir de meados da década de 1990, procedeu-se o fenômeno da popularização da IE, especialmente quando Daniel Goleman (1996), lançou o livro intitulado Emotional Intelligence, ocasionando a ampliação e a “mudança” da definição da IE (em especial na mídia e literatura popular), que a partir de então passou a incluir aspectos da personalidade (WOYCIEKOSKI; HUTZ, 2008).
A emoção refere-se à capacidade do pensamento gerar emoções, bem como a possibilidade das mesmas influenciarem o processo cognitivo. Conforme Forgas (1995) e Schwarz (1990), emoções podem influenciar processos de pensamento por meio da promoção de distintas estratégias de processamento da informação. Pessoas hábeis em integrar suas emoções com a cognição tendem a utilizar emoções positivas para desenvolver criatividade e processar a informação de forma integrada (SCHWARZ, 1990).
De acordo com Goleman (1996, p. 3), a IE envolve autoconsciência, empatia, autocontrole, sociabilidade, zelo, persistência e auto-motivação. O autor refere-se à IE como caráter, sugerindo que ela determina em grande parte o sucesso ou o fracasso das relações e experiências cotidianas. Segundo o autor, a IE é responsável por cerca de 85% do desempenho de líderes bem sucedidos, ou que comparada com o QI, a IE é duas vezes mais importante (GOLEMAN, 1998).
Conforme apontam Brackett e Mayer (2003), a pesquisa em IE expandiu-se na última década e atualmente conta com inúmeros instrumentos de avaliação. Contudo, o campo da IE tem-se caracterizado por dificuldades de mensuração, devido aos problemas teóricos de delimitação de construto e devido aos tipos de instrumentos utilizados para medir essa aptidão (WOYCIEKOSKI; HUTZ, 2008, p. 4).
Na vida pessoal e no desempenho profissional, devem ser levadas em conta, além da inteligência intelectiva, outras qualidades não menos essenciais, como integridade, confiança, iniciativa, além das suas habilidades para trabalhar e conviver com outros. Com base nesta premissa, tem sido apontada uma série de competências emocionais e sociais, as quais constituiriam precursores cruciais do sucesso ocupacional (COOPER; SAWAF, 1997, GOLEMAN, 1998; MATTHEWS et al., 2002).
A auto-consciência emocional (insights psicológicos, reconhecimento de emoções e sentimentos próprios e alheios); a capacidade de identificar as necessidades dos outros e responder de forma adequada e a capacidade de regulação emocional, são competências relacionadas à inteligência emocional e também à inteligência espiritual (WOYCIEKOSKI; HUTZ, 2008, p. 8).
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